Uma frase que me veio a cabeça enquanto eu estava vendo um arquivo em pouquíssima qualidade que o cliente esperava que resultasse em pelo menos um adesivo legível.
Existe uma distância enorme entre o material que você me fornece e o que você espera que eu vá te entregar de volta. E minha profissão é justamente acabar com essa distância.
E justamente a diferença entre a profissão do designer e do arte-finalista é que, enquanto o designer precisa de uma criatividade para criar e transformar coisas do zero, o arte-finalista precisa de uma criatividade para resolver problema. Traduzir a intenção do cliente (no caso de qualidade, cores, formato e etc) em uma coisa física e palpável.
E eu sempre falo que eu não sou tão boa criativa assim para fazer coisas do zero, mas sou muito boa resolvendo problema. Problema que eu faço normalmente são aqueles que tipo "como eu faço para chegar de um ponto A para um ponto B, de preferência da forma mais rápida e prática possível?". Usar as coisas que o ambiente tem para encontrar um jeito de fazer o problema ser resolvido.Acho que apesar disso, as pessoas não enxergam muito essa diferença, colocando todo mundo no balaio do designer. Muitas vezes no trabalho e em casa já me deparei com situações de "faz isso, você é criativa, você inventa alguma coisa". E pô, eu não tenho esse tipo de criatividade, dessa forma. Eu não consigo transcrever ideias em resoluções, eu transcrevo resoluções para a funcionalidade. Tanto que quando eu tento criar qualquer coisa do zero, ela pula a etapa do meio, a da resolução e vai direto para a funcionalidade. Ou seja, designs que normalmente ficam mais básicos, mas tentam cumprir a função de ou informar, ou existir como identidade.
E talvez isso volte muito numa tecla que eu estou batendo faz alguns posts, da minha dificuldade de gerar "arte", gerar "abstrato" e no fim tudo o que eu produzo sai mais direto e literal. Achei uma correlação importante que me ajudou a entender um pouco quais são os meus pontos fortes.
Essa reflexão me fez pensar o porquê de eu gostar tanto da profissão de arte-finalista e não dar tão certo assim na profissão de designer. E eu preciso começar a entender melhor isso, até pro meu futuro quando eu quiser trabalhar por conta ou algo assim, saber quais são as minhas limitações e minhas qualidades em um espaço autônomo de trabalho.
(Sem falar que tenho a sensação que com essa era de AI, minha profissão vai ser mais solicitada do que nunca. A pessoa tem a ideia, a AI resolve e eu faço a resolução funcionar. Talvez a tendência seja essa.)
Enfim, para esse sábado em específico, eu tava comentando com meu pai que todo fim de semana eu fico com uma sensação de, se eu não sair de casa pelo menos para ir para o mercadinho comprar Monster, eu sinto que desperdicei meu fim de semana. Ele comentou que ele também sente o mesmo, mas que o ideal é as vezes ter um tempo para descansar o corpo e a mente.Mas, apesar disso, eu insisti em ir com ele para o supermercado. Primeiro porque pra mim qualquer saída de casa é justificativa de passar maquiagem na cara e vestir bonitinho. E segundo porque eu queria encontrar mais daqueles snacks que eu tinha achado. Uma pena que infelizmente no supermercado que fomos, não tinha nenhum.
A roupa foi essa, já usei a saia da grande recuperação da dona acumuladora ™, essa blusa que eu já tenho e os vans, que conforme prometido foram limpos e devidamente aproveitados. Aí como tava um dia chuvoso e friozinho, eu vi oportunidade de usar a minha jaqueta personalizada (aí peguei ela correndo na saída, não deu tempo de tirar foto e a foto foi no elevador do supermercado mesmo.
Veja bem que nada que eu usei tá novo, dá nem para falar "você tá usando roupa nova pra ir no supermercado...?". É tudo coisa que já tava aí no guarda roupa. E acho que o objetivo é exatamente esse, ter peças diferentes que eu possa usar em situações do cotidiano. Eu achei isso bem legal e bem alinhado com o objetivo anti-consumista que eu quero chegar. Inclusive, a dona acumuladora foi muito, mas muito providencial pra esse objetivo. Obrigada Dona, seja lá quem você for e seja lá onde você estiver 🙏🏻.
(daora que essa foto que eu tirei da minha cara na fila do açougue, achei muito aquela trend de "como você seria nos anos 80", porém sem precisar da AI. E com toda honestidade, fiquei muito parecida com a foto que ele gerou)
Os seis ou sete produtos da vez foram esses, eu usei as sombras teal da Deep Oasis, pois são mais puxadas para o verde e iam combinar mais com a saia. Como tinha uns toques de azul, eu combinei com o iluminador da Wonder na cor Rush, que tem brilhinhos azuis e brancos. O blush foi esse da Blow, o Midnight Conversations pois ele tem menos fundo de cor e mais brilho branco, que era bem o que eu queria para esse look.Vou abrir um pequeno parêntese agora pra comentar que meus perfumes sofreram uma metamorfose. Eu tava lendo que com o tempo, o álcool vai evaporando e as moléculas mais leves de fragrância vão se deteriorando, fazendo com que as moléculas de fragrância mais pesadas se juntem. Então, um perfume que você compra bem levinho, depois de um tempo pode se tornar um perfume mais denso e mais encorpado.
Uns dois anos atrás exatamente, o namorado me deu um perfume, Dreams da Phytoderm (o roxinho, porque tem uma versão rosa dele). Ele tem notas de frutas vermelhas e cereja, floral e o musk branco que eu prefiro muito mais que o musk tradicional. Ele é um perfume perfeitinho que infelizmente saiu de linha, portanto preciso aproveitar esse até o final.
Portanto eu decidi usar esse perfume, nem que seja um pouquinho por dia, antes que ele fermente e não dê pra usar mais. Com a deterioração, ele virou bem um licor de cereja, bem forte e bem encorpado. Aí o que eu estou fazendo: Dando uma unidade de borrifada bem no meio dos seios, quase na barriga. Pra não projetar demais a ponto de me incomodar. E acho que deu bem certo, apesar que o vidro tá vazando um pouco e sempre cai na minha mão e eu preciso lavar.
Eu gosto demais dele, e fico triste que não seja mais produzido. Ele é a combinação perfeita de notas de tudo que eu gosto. Maldito capitalismo e renovação de produtos do mercado.
Enfim, no fim das contas fiquei bem felizinha de estar arrumadinha do jeito que eu gosto, nem que seja pra ir pro supermercado.
Uma coisa que não comentei é que finalmente estamos em outubro, melhor mês do ano e nem é porque é meu aniversário. Eu pretendo me dar alguns presentes, como algumas maquiagens que eu tava enrolando pra pegar porém estou a meses querendo (se estou a meses querendo, tá válido comprar já né) e uma maleta nova de maquiagem (a minha tá quase explodindo, é um tetris pra conseguir colocar tudo dentro dela).
E por hoje é só.



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