07 outubro 2026

Aqui tem anime. E tem meu tênis novo. E um manifesto.

Vamos primeiro falar de TenTen Kakumei. Eu tô na metadinha e até então tá muito maravilhoso. Desde a estética do anime em si, até as personagens e a interação entre elas, eu estou gostando de tudo.

Tem a Anisphia que é loucona, e eu adoro uma personagem bem louca das ideias. Ela é fofa, autruísta e poderosa. E a Euphyllia que eu achei que ia ser muito pão de forma mas é bem nenê, sem falar que também é bem forte. Eu gosto muito desses casais femininos que juntam duas powerhouse e elas se apoiam. 

Os episódios do meio de temporada onde elas derrotam um dragão é tudo de bom, A interação, a luta, a cooperação, a animação, a situação. É tudo muito maravilhoso em todos os aspectos. 

Eu ainda vou deixar a minha crítica em aberto, porque eu não terminei de ver, e gosto de avaliar tudo antes. Mas até então eu já recomendaria demais.

Ainda falando em anime, saiu a terceira temporada de Diários de uma Apotecária. Eu estava bem ansiosa por essa temporada, principalmente por conta de como terminou a última. E nesse primeiro capítulo já jogou muitas coisas, como por exemplo o fato que a Gyokuyou se tornou imperatriz, a divisão política do império (essa parte eu já achei um pouco confusa, esse anime joga um tanto de informação de um jeito meio rápido demais e as vezes a gente fica meio perdido e precisando rever). E já jogou o suspense da praga de gafanhotos, que por si só já deixa a gente ansioso. 

E bem, eu já gosto do anime, não tenho muito o que comentar além disso. A medida que for lançando, vou comentando aqui.

Bem, mudando de assunto, conforme planejado, ontem eu fui comprar um tênis novo. Eu passei um pouco de sufoco no transito, mas nada que eu não conseguisse administrar. O estacionamento do local é muito, mas muito apertado. Eu comentei hoje sobre o duende que fica na cabeça falando que eu não vou conseguir fazer as coisas, mas no final das contas, mais uma vez eu consegui fazer tudo certinho, inclusive pela primeira vez dei uma carona pra uma colega.

(essa é a única trend de internet que eu sempre quis fazer, e agora eu fiz e fiquei feliz)

E sobre o tênis, como eu já sabia o que eu queria, eu já fui direto na loja da Under Armour. Lá é tipo um outlet que tem lojas de todas as marcas famosas, como Nike, Adidas, e etc. Demorei uns dez minutos para escolher. Eu queria um parecido com o que eu já tinha, todo preto e que fosse confortável pra caminhar. Eu gostei bem desse modelo e espero que ele seja confortável pra usar no dia a dia, porque na loja não dá pra ter muito essa noção. 

Depois disso, namorado e eu fomos pra praça de alimentação. E eu devia ter tirado algumas fotos pra colocar aqui, porque o lugar é muito legal. É todo cenográfico, tem tipo umas casas coloniais e umas varandas que dá pra sentar, tem tipo um vagão de trem, e em outro local um dinossauro gigantesco. Pensando bem, eu realmente devia ter tirado fotos pra colocar aqui, mas vai ficar para outra oportunidade.

E depois disso, ficamos completamente perdidos pra voltar pro estacionamento. Subimos escadas infinitas, acho que fomos parar na backrooms e voltamos, saímos em um terraço, voltamos, passamos por outro labirinto de lojas e chegamos a tempo o suficiente de não cobrar o ticket de estacionamento que já tava pago.

Enfim, encerrando todo esse giro de daily life, eu queria falar sobre algo que estava pensando.

Ainda na vibe de política, como vamos ficar nesse ritmo até o segundo turno, acho mais do que justo me dar um espaço para refletir sobre a atualidade. Eu vi um post esses dias do Nutricalvo, uma pessoa que eu acompanho desde o início da página dele, no qual ele se questionava porque pessoas que teoricamente são vítimas do sistema abraçando as causas de direita com tanta avidez. Eu fiz um comentário que eu acho que queria reproduzir aqui (com algumas edições pontuais, porque eu tenho um pouco de dificuldade de escrever no Instagram, por conta de não conseguir quebrar os parágrafos). 

Problema é que (e notei isso com os comentários desse post), as pessoas de alguma forma pararam de ver algo além do "eu". O famoso "se nunca aconteceu comigo, não acontece com ninguém". Daí ficam medindo todo mundo com a própria régua: "se eu não passei por isso, ninguém passa", "se eu superei isso, outros superam". E é nesse pensamento que param de ver como um todo e começam a acreditar em discursos (como os da direita) que apoiam a individualização. Dai quando alguém "defende" a "sua propriedade", a "sua liberdade de expressão, o "seu mérito", o "seu negócio", as pessoas que não veem além de si mesmas, entram com tudo nesse discurso, ignorando que a realidade do resto do mundo não é a mesma dela. E nem tô falando de partido.

Daí, depois que comentei essa opinião que tenho, fui pensando mais além. Quando defendo pautas sociais, a princípio, eu não penso só em mim (por exemplo quando defendo o Bolsa Família sem eu precisar, pois sei que tem quem precise, ou defender o fim da escala 6x1 mesmo trabalhando na escala 5x2). Porém, comecei a enxergar algo importante que é o fato da possibilidade de eu vir a precisar de um benefício desses no futuro. 

Porque, nunca sabemos como vai ser o dia de amanhã. Hoje em dia, eu estou sem plano de saúde, e pra mim o SUS é essencial. Vai que acontece alguma coisa e preciso recorrer a um Bolsa Família? A um BPC/LOAS, caso aconteça algum acidente incapacitante comigo ou com alguém da minha família? Como que eu vou ser contra algo que posso precisar algum dia? Programas sociais são uma rede de proteção social que pode ser necessária para qualquer pessoa, em qualquer momento da vida.

Eu já ouvi muitas reclamações de tipo "não pago imposto para alguém receber Bolsa Família" ou "tinha que acabar o SUS, é imposto jogado fora" e coisas assim. Mas, penso que pagar imposto para um benefício social é que nem pagar seguro de vida ou seguro de carro. Você paga esperando não usar. Mas, a maioria das pessoas não consegue se enxergar um dia precisando de um benefício do tipo (ou até recebem algum benefício, mas são hipócritas demais para admitir).

Apesar de ser notável que tudo isso é muito importante para a população, infelizmente os impostos que pagamos aqui no Brasil não são devidamente direcionados, graças a corrupção. Portanto, nossos sistemas públicos sofrem com uma grande precariedade, porque muito do dinheiro é desviado e gasto de maneiras inapropriadas. Eu entendo isso, e é uma das grandes críticas minhas sobre o governo atual, que age como um partido de esquerda, porém não cumpre o seu papel enquanto governante para verdadeiramente trabalhar em prol da população. 

O problema é que muitas pessoas acreditam que a solução para isso é simplesmente entregar tudo nas mãos do mercado, dos empresários e cortar programas sociais. E é nesse discurso que o conservadorismo e a direita se assentam, encontrando tantos apoiadores. E este ano, acho que existe a possibilidade real de pessoas que defendem isso virem ao poder.

Entre as pessoas, muito se acredita que a direita, ao se eleger, iria instaurar um regime militar autoritarista ou algo assim no país. Eu já vejo diferente. O eu acredito que irá acontecer é cada vez mais irem "prendendo" a população sem que ela perceba. Fazer com que o povo acredite que é livre, enquanto gradativamente tem seu poder de autonomia limitado.

Pra explicar isso melhor, vou fazer uma correlação com o conceito de autoritarismo citado no livro 1984 de George Orwell (não li o livro todo, mas vi esse conceito e achei que fundamentalmente, esses podem ser sim os três pilares de um método de controle de uma população), e vou explicar um pouco melhor.

Os princípios desse governo autoritário do livro são os de:

Guerra é Paz: A guerra contínua mantém a população submissa e a economia estabilizada sem gerar bem-estar.
Mas quando falamos de guerra, acredito que não precisa ser uma guerra com armas e tiros e explosões. 

Nos últimos tempos, o que enxergamos é uma incitação e ódio ao diferente. Os defensores acreditam que estão "lutando" contra algo que nem eles mesmos sabem definir, mas algo que não é igual a eles. E na maioria das vezes vocês veem as pessoas lutando contra fantasmas, ideias injetadas, conspirações difundidas. O fantasma do comunismo, a influência do demônio, a destruição da família tradicional, coisas assim. 

Tudo vira uma discussão, uma polarização, um preconceito que afeta todos os lados. A intenção aí é acho que justamente é manter o povo dividido, achando que está lutando contra algo, um inimigo imaginário, para se distrair do fato que estão sendo manipulados pelo poder.

Acho que está chegando ao ponto que as pessoas estão tão individualistas que daqui a pouco o inimigo vai ser qualquer um que não seja você mesmo.

Liberdade é Escravidão: A independência individual leva ao fracasso; a submissão total ao Partido (sistema) fortalece o indivíduo.
O capitalismo e o consumo faz com que as pessoas tenham uma falsa sensação de liberdade. Porém, a maioria das pessoas não percebe que está sendo feita de escrava do sistema. Você trabalha e vive para consumir. Você só é alguém se consegue produzir e consumir. Toda sua identidade gira em torno do que você consome e adquire. 

No caso, a submissão e a dependência é ao próprio sistema. Enquanto a cultura de consumo está te retalhando e te destruindo, você a defende porque tem "liberdade" de escolher o produto na prateleira do supermercado. Isso vai criando amarras psicológicas profundas, e gera um ciclo infinito de produzir e consumir e sempre ficar andando em círculos, achando que está chegando a algum lugar porque acumulou mais bens materiais.

Você tem centenas de opções de produtos, portanto existe uma sensação de liberdade. Mas talvez você não tenha liberdade equivalente para decidir quanto precisa trabalhar, quanto precisa ganhar, quanto pode descansar, que tipo de segurança terá caso fique incapacitado, quanto pode gastar com saúde, o que pode comer e etc.

A cultura de consumo ao supérfluo mantém a população ocupada, endividada, individualizada e focada em metas de consumo pessoais, que garantem apenas gratificação material passiva, ao invés de alguma construção coletiva. A coletividade gera poder e pertencimento identitário, e a população ter poder é definitivamente algo que o sistema não quer.

Então, quando eu falo que estão fazendo de tudo para fortalecer a cultura do consumo, é justamente nos mantendo as pessoas divididas e subjugadas, exercendo as funções que o sistema precisa, para consumir coisas numa tentativa de preencher um vazio existencial que a própria cultura do consumo gera. E assim nos manter sempre distraídos, impossibilitando formar senso crítico e senso de coletividade.
Ignorância é Força: Manter o povo sem capacidade crítica garante a estabilidade do sistema.
Bem, vemos isso acontecendo cada vez mais, principalmente com as redes sociais. O bombardeio de informações falsas e verdadeiras ao mesmo tempo, a existência de influencers e as bolhas e algoritmos, faz com que as pessoas percam um senso crítico próprio para seguir exatamente para onde são guiadas para seguir.

Ou seja, onde eu quero chegar: Que cada vez mais a população vai ser doutrinada sem nem perceber, achando que é livre para fazer o que quiser. Essas três coisas, individualismo, cultura de consumo e ignorância crítica se retroalimentam e crescem sozinhas, e no fim das contas, está favorecendo apenas quem está no topo da pirâmide. 

E quem são essas pessoas? Aqueles que detém o poder e não querem perdê-lo. Que já acumularam tanto dinheiro e bens, mas tanto dinheiro e bens, que podem decidir o destino, a orientação de todos aqueles que estão abaixo dele, ou seja, quem tem menos bens acumulados. O objetivo disso tudo seria produzir uma sociedade em que o poder econômico fica cada vez mais concentrado e a margem de autonomia de quem está embaixo fica menor.

É como uma frase que eu vi: "O mundo é o playground dos de alguns poucos e nós somos apenas os funcionários que fazem a manutenção".

Enfim, o manifesto de hoje é esse. 

E o post de hoje, também.

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