10 setembro 2026

Um padaroxo gripado de tempo

Eu tô escrevendo esse post pôôôdi. 

Hoje (apesar que esse post vai ser publicado amanhã, então paradoxo de tempo), eu tive que voltar mais cedo do serviço. Estava quase desmaiando na recepção, e quando chamou o uber (a sorte que a uber foi mulher, aliás as duas vezes que peguei, então pude ir mais tranquila no carro, cheguei a cochilar), fui direto para a farmácia conhecida aqui no bairro porque eles fazem injeção de medicamentos para gripe e coisas do gênero (inclusive eu queria fazer uma nota sobre isso no final do post, me aguardem). Depois, cheguei em casa e apaguei.  Aí acordei ainda meio pôdi, e torcendo pra estar melhor amanhã.

Mas o que me motivou vir escrever esse post foi o seguinte:

 o perigo não é mais perguntar “isso é verdade?”. é perceber que talvez ninguém se importe com a resposta.

Eu vi esse comentário em um vídeo do canal Matando Matheus a Grito. O vídeo falava como as pessoas estão gerando fotos por IA para gerar fotos de situações de memórias que nunca aconteceram, coisa que comentei sobre nesse post. E o vídeo zoa um pouco essa questão do povo colocar a foto como se estivesse numa realidade simulada. 

E eu não queria jogar meu cabelinho pra trás e falar "isso é errado", acho que nem quero entrar nesse mérito. Porque, essa questão da realidade simulada não é algo "novo" pra mim. Faz muito tempo que eu entro nesses jogos simuladores de vida (SL e IMVU), e por muito tempo já vi gente simulando uma vida nova, criando um avatar (no sentido literal do conceito) e vivendo uma vida de roleplay. E já vi essa coisa feita em fakes do Facebook, fakes do Orkut. A diferença é que hoje em dia a ferramenta para esse escapismo é a IA. 

E digo mais, não vou nem falar tipo "o problema é quando começa a afetar o off". Porque sempre afeta, independente do meio. Quando a pessoa vive essa vida simulada, a vida simulada começa a fazer parte da vida real. Isso quando a pessoa não acaba deixando a vida real de lado para se agregar à vida simulada. E eu falo isso com experiência própria e pessoal, já aconteceu comigo.

A diferença é que passou de uma coisa mais "nichada" e virou algo popular, escancarado no instagram. Daí as pessoas se chocam (ou não). Aliás, acho que não, porque como o comentário recente falou, as pessoas nem se importam mais.

Teve recentemente a trend de "como seria eu nos anos 80". Eu fiz só pra provar pro Namorado que a IA nunca gerava a minha cara direito, nem quis postar em rede social nem nada (mas achei o cabelo divônico, meu cabelo era assim antes de cair quase todo, fé que volta a ficar assim um dia). E sabe o vale da estranheza que eu falei, que é a sensação de "quase eu, mas não é eu ainda"? Foi isso que senti olhando essa foto.

E esse assunto levantou uma discussão de vários eixos em posts e vídeos do Instagram, sobre roubo de dados e identidade, de americanização, e sobre essa vida simulada que as pessoas estão criando. Vish, foi tanta discussão que o assunto pareceu ficar até batido (ou meu algoritmo decidiu me jogar todos os vídeos do assunto até eu enjoar). Mas a conclusão que eu tirei disso foi... Não sei. Por mais que eu ache estranho, eu não vou ficar apontando dedo, porque, como vou julgar as pessoas por querer ter um escapismo nessa sociedade de hoje em dia? Até o momento que não estiver sendo usado para prejudicar ninguém...

Mas, eu estava real pensando esses dias nessa temática de você se ver apenas como esse avatar que você cria. Essa versão que "parece muito você, mas não é você". É um tema que me intriga, até porque eu gosto muito dessa temática de doppelganger. E, eu como sou tontona, fui experimentar algo com a IA como alguém que cutuca um fungo desconhecido com o dedo.

Eu pedi pra IA escrever como eu escreveria, usando um post meu de base. E o parágrafo saiu assim:

Outra coisa que eu acho muito bizarra nessa história de IA é a quantidade de gente usando essas ferramentas para fabricar acontecimentos que nunca aconteceram. Não estou falando nem de fazer uma imagem de uma pessoa em um cenário aleatório ou uma coisa obviamente fictícia, mas de criar uma situação inteira e depois postar como se aquilo tivesse realmente acontecido. [...] Antigamente você podia pelo menos pensar "ok, alguém tirou uma foto disso", agora você olha para uma imagem e precisa pensar "tá, mas isso aconteceu mesmo ou alguém pediu para uma IA inventar?". E o pior é que sempre tem alguém acreditando.

Eu vou fazer algo inédito nesse blog. Usar um gif pra definir meu sentimento (aliás é algo que eu precisava fazer mais vezes):

Sim, tipo. Parece o jeito que eu escrevo. Mas é como se fosse uma versão polida, que escancara o "quase eu mas não sou eu", literalmente a IA leu meu post e copiou sem fazer igual. Copiou vários trejeitos de escrita meus como por exemplo essa coisa de citar entre aspas uma fala ou citação que eu imagino a pessoa falando. E a coisa do "não tô nem falando disso" que uso muito. Agora, a frase de efeito no final entregou ela. ACHO.

Mas será que alguém que não fosse eu perceberia essa diferença? 

Até que ponto essa linha do digital e do real vai ficar nítida? Ou pior, até que ponto eu vou me influenciar e acostumar pelo jeito de IA de fazer as coisas, escrever ou desenhar e começar a tomar isso como um padrão? Que pensamento bizarro.

Acho que por enquanto, vou continuar só usando pra desenhar minhas bonecas (tipo as que estão na galeria). E deixando tudo aqui no meu cercadinho que define esse blog. Deixa tudo bem quietinho e longe da minha cara e persona na real.

Enfim, eu deixei o assunto da farmácia na suspensão, vou voltar com ele. 

Eu estava lá esperando o farmacêutico preparar a injeção. Aí essa farmácia o pessoal vai muito pra tirar dúvida pontual de saúde, ela é tradicional no bairro por isso (se é lícito ou não, não sei), inclusive eu. Aí chegou um senhor lá perguntando sobre umas manchinhas mais claras no pescoço.

Aí o farmacêutico falou algo como: "Olha, você deveria ir ao dermatologista. Isso pode ser vitiligo". 

E ele ficou super preocupado, tipo "Isso é contagioso? É grave?" e o farmacêutico tranquilizou ele, e eu confirmei, mas poupei comentar "se for isso é mais chato que perigoso", porque seria inconveniente deixar ele preocupado. E eu achei um pouco divertido, não por ele não saber, mas por eu saber a resposta. E não vou fazer uma reflexão profunda tipo sobre conhecimento, porque nem é bem isso que pensei. Provavelmente o senhor sabe algo que eu não faço ideia. Eu só achei curioso a situação mesmo.

E por enquanto é isso mesmo, mas como isso é um post paradoxo de tempo, que vai ser programado pra ser postado amanhã, as vezes eu edito e adiciono alguma coisa.

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