Ontem, como vocês leitores imaginários devem ter percebido, não teve post no blog. E isso se deve ao fato que ontem e hoje talvez tenha sido um dos dias mais novelescos da minha vida (com fotos documentadas).
Eu vou me abster de reclamar de ontem, do dia e do trabalho, porque tudo por si só já foi um caos. Até a academia estava com um banheiro interditado. E, quando eu achei que ia apenas chegar em casa e relaxar, abrindo minha paleta da Wonder que tinha chegado, aconteceu.
Fui descer para por a marmita na casa da minha tia, em toda minha genialidade sobre-humana (ironia) eu displicentemente larguei o portão daqui de casa aberto. Digo, ele estava encostado. E eu mal contava com as habilidades do Bat, um dos três gatos daqui de casa, em conseguir abrir o portão. Daí, quando eu saí da casa da minha tia, alguma coisa me chamou a atenção. Na garagem tinha algo que eu acho que era um gato (que lembrando agora, foi tudo tão cronometrado que parece um plano de fuga elaborado). E enquanto eu ia ver o que era o gato misterioso, os meus dois gatos deram um jeito de sair.
Peguei eles no pulão, saindo do portão e dei o grito. O Bat voltou, mas o Luc pulou no telhado da minha tia e correu para a lateral do telhado. Acho que ele se assustou com o cachorro da minha tia ou algo assim, porque ele deu uma breve desaparecida.
Daí então minha prima me mandou essa foto, avisando que ele estava lá, no telhado do lado da casa dela. E lá fui eu subir escada, algo que eu morro de medo de fazer, para tentar pegar ele.E não é que o arrombadinho do caralho fugiu de mim? Ele ficou miando que nem um condenado, pedindo ajuda enquanto eu e minha mãe chamávamos que nem duas bestas para ver se ele pelo menos ia em qualquer direção.
Mas nesse ponto, o circo tava armado. A minha vizinha já tinha se manifestado, minha tia, era gente gritando e cachorro latindo, e eu não julgo dele estar super assustado, o que eu acho que aconteceu.
Bem, daí então ele fugiu e subiu no telhado da casa da vizinha. E deitou lá, como quem não quer nada, talvez esperando o caos passar.
Nesse momento, eu registrei essa foto aí, para mandar para o Namorado. A legenda que mandei com a foto ("olha onde esse filho da puta tá", desconsiderando total que é meu filho felino) diz muito o que eu tava sentindo na hora. Tentamos chamar de um lado, tentamos chamar de outro, mas ele não arredava o pé desse lugar.Respirei fundo e falei com a minha mãe "ah, vamos deixar a poeira baixar, porque as vezes ele volta". E de fato, fingimos estar seguindo com nossas respectivas vidas, enquanto eu vigiava ele da janela do meu quarto.
Aí nesse momento, para me distrair, eu comecei a fazer os swatches da paleta da Wonder. Fiz, tirei as fotos e vai ficar tudo pro post de amanhã. E até aí tava tudo bem, eu estava crente que ele iria voltar.
Só que então, começou a trovejar, e ele começou a descer do telhado. Eu e a mãe corremos, arrancamos a tela de proteção da área de serviço, tentamos descer uma escada pra ele subir pelo buraco e tudo o que possa ser possível pensar. Só que esse arrombadinho do caralho, preferiu se refugiar no vão entre o telhado e a casa da vizinha, um lugar completamente inacessível para seres humanos.
Eu pensei, "bem, ele está se escondendo, vamos deixar a porta da sala aberta que quando todo mundo for dormir, e ficar tudo em silêncio, ele cria coragem pra voltar".
Só que, depois de fuckin três meses mais ou menos sem chuva, hoje é o dia que São Pedro decidiu que IRIA DERRUBAR O CÉU EM ÁGUA em uma tempestade que durou A FUCKIN NOITE TODA. Ele preso debaixo do telhado, miando desesperadamente e nós não tinhamos o que fazer além de tentar dormir.
Daí eu acho que dormi o grande total de três horas na noite. Levantei de madrugada para ir olhar ele, achando que ele tinha conseguido voltar, mas nada, estava só miando debaixo do telhado mesmo. Quatro horas da manhã eu já estava acordada, e isso foi até as cinco horas, onde precisei levantar.
Quando eu saí pra trabalhar, ele tentou sair do telhado. Mas ele não sabia direito como voltar pra casa, então só resolveu voltar para debaixo do telhado. Eu fiquei puta, mas precisava sair para trabalhar. Como estava cansada demais para pegar o carro, eu ia de ônibus e não podia perder o horário.
Daí, fui para o trabalho normalmente e por volta de nove horas minha mãe manda um vídeo (que tirei essa foto) e fala que quase conseguiu pegar ele no telhado, mas ele se debateu demais e arranhou ela toda, sem falar que ela estava em cima de uma Escada de Madeira Instável ™. Daí ela me pediu para vir para casa antes do anoitecer tentar resolver isso. Eu tinha duas opções, ou esperar o almoço, ou sair o quanto antes.Virei pro meu Gerente™ e perguntei "Posso ir resolver um B.O. lá em casa? Volto antes do almoço". E ele me autorizou. Daí peguei um Uber de volta para casa.
Aí depois de uma preparação que envolveu duas blusas de frio caso ele me arranhasse, fui eu subir na Escada de Madeira Instável ™, tremendo mais que vara verde. Porém quando cheguei lá, sem sinal de vista do gato. Ele tinha ido para o ponto mais distante do telhado, e por mais que a gente chamasse, oferecesse comida, fizesse o escambau em cima da Escada de Madeira Instável ™, ele não vinha.
Daí por fim me dei por vencida e resolvi chamar os bombeiros. Ele me atenderam e foram solícitos, mas não deram previsão de quando iriam chegar. Falei com minha mãe que precisava voltar ao trabalho. E dessa vez, para chegar mais rápido, fui de carro.
Só um adendo que, hoje eu descobri que meu novo lema para falar sobre o trânsito é "se eu cheguei inteira, foi tranquilo". Mesmo com uma infinidade de carretas e carros e pista interditada e o escambau. Enfim, depois de um transito tranquilo, eu cheguei de volta no serviço (que diga-se de passagem, estava um caos).
Logo depois minha mãe me comunica que os bombeiros ainda não tinham passado aqui, mas meu pai passou, e não teve sucesso em conseguir trazer o gato de volta. Daí logo depois, a mãe teve uma ideia brilhantemente estúpida, que foi colocar o Bat (que já fugiu e retornou anteriormente) em uma coleira, e ver se ele conseguia "buscar" o Luc. Logo depois chega a mensagem:
"Bat fugiu da coleira e tá lá junto com o Luc, agora vão ser dois pra resgatar".
Nesse momento eu, ainda no trabalho, comecei a rir para não chorar. Só coloquei nas mãos de deus e de São Francisco e continuei fazendo o que eu podia fazer no momento, que era trabalhar.
Só que logo depois, a mãe anuncia que o Luc conseguiu voltar. Não sei que tipo de telepatia felina eles fizeram, mas de alguma forma parece que o Bat ensinou pro Luc por onde ele deveria passar para voltar pra casa. Daí ficou só o Bat, porém logo depois ele voltou, também.Dispensamos os bombeiros, e a novela finalmente teve um desfecho. Os dois voltaram pra casa, nem tão sãos, porém salvos.
Daí então, eu aliviada, já podia voltar para a casa, no carro que eu nem queria ter ido para começar. Peguei outro transito tranquilo pra voltar, sob ameaça de um dilúvio iminente, já traçando planos de contingência para caso fossemos pegos por um tsunami fluvial (Namorado e eu no caso). Mas acabou que apesar de tudo, não choveu. De alguma forma a chuva segurou para começar por agora, enquanto escrevo esse relato.
Cheguei exausta, exaurida, estapafúrdia e descatembada. Para encontrar esses dois meliantes comendo Churu, como se não tivessem feito o caos desde ontem.Mas, tudo bem, essa novela teve um final feliz. Eu confesso que cheguei a me preparar psicologicamente para o Luc não voltar. Fiquei super chateada, tive crise de ansiedade/raiva, foi uma montanha russa intensa de emoções absurdas. Superei medos (subir escada e pegar trânsito lotado de carreta e caminhão), e a profunda lição de vida que tirei de tudo isso foi:
"Nunca mais deixar o portão aberto."
Bem, acho que por hoje é isso. Eu tenho várias coisinhas que quero falar/contar mas vai ficar pro próximo post mesmo.
E eu preciso dormir.





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