20 setembro 2026

É guife ou jife, afinal?

Eu descobri que se você aperta bandeirinha do Windows + . (ponto), você tem acesso a uma janela com emojis, kaomojis e gifs do giphy. E se você faz isso aqui no blogspot com o gifs, ele já faz o upload automático no blogger, sem precisar de um link de terceiros. Portanto, preparem-se para uma nova era do Liminal Blur, com gifs (apesar que depois de um tempo eu começo a ficar irritada com as imagenzinhas piscando repetidamente).

Enfim, vamos começar com um assunto que eu tava querendo comentar sobre. Eu tava vendo um vídeo que o cara fala que estamos perdendo a noção de tempo porque estamos deixando de lado a prática de rituais comunitários que servem como marcos de tempo e eu também queria e co-relacionar com outro que vi hoje, daquele humorista do Porta dos Fundos cujo nome não me lembro.

Eu já falei nesse blog algumas vezes como que o capitalismo tem interesse de isolar e individualizar as pessoas. O motivo disso é que, quanto mais isolados estamos, mais propensos ao consumo nós somos, por uma infinidade de fatores. Uma das formas de individualizar as pessoas é justamente quebrar esses rituais.

E o que seriam esses rituais? Bem, qualquer coisa que exige uma reunião comunitária, onde todas as pessoas estão reunidas no mesmo espaço e seguindo o mesmo ritmo. Como por exemplo temos desde eventos simples como um almoço de domingo em família, uma celebração religiosa como uma missa ou um culto, e até mesmo celebrações sazonais como festas de fim de ano, formaturas e etc. Esses rituais funcionam como "marcos de tempo" que nós registramos, pois nossa noção de tempo tem início, meio, fim, além dos marcos que definem as passagens do tempo.

Porque a quebra desses rituais é algo que interessa ao capitalismo? Rituais são coisas que exigem estabilidade. Exigem você parar de dar atenção para você mesmo e prestar atenção em quem está em sua volta, no momento e no que está acontecendo ali. Já mercado e a economia, exigem novidade e estímulo rápido. O que permanece, precisa se tornar obsoleto o mais rápido possível para ser substituído por algo novo. 

Sem falar que, o senso comunitário funciona como um freio ao consumo individual. Quando estamos em um ritual comunitário, cada pessoa está vivendo aquele momento, consumindo aquele momento. Todos estão consumindo a mesma coisa. Seja por exemplo uma mesa de refeição, uma atividade conjunta ou algo do gênero. Quando quebramos isso, cada pessoa acaba sendo obrigada a consumir algo diferente umas das outras. Ou seja, consumir várias coisas de uma vez. 

Um ritual demanda algo repetitivo, que até mesmo pode atravessar gerações. E algo que se conserva, atrapalha um novo consumo. Portanto, desestimular as pessoas a engajar nesse tipo de ritual (acredito que até mesmo fervilhar discussões em redes sociais estimule isso), faz com que elas tenham uma tendência a consumir mais.

Além do quê, quando não temos um senso de estar inserido em uma comunidade, atendendo assim nosso senso de pertencimento, voltamos a nossa busca pela identidade para a direção do que consumimos, ou seja, as roupas que vestimos, as marcas que consumimos e a experiência que performamos. 

Até mesmo na rotina do dia a dia, esses rituais são quebrados. Afinal, antes quando tínhamos uma rotina que separava a "hora de acordar", "hora de trabalhar", "hora de descansar", "hora de se divertir" e "hora de comer", era mais fácil sentir essa passagem diária de tempo. Hoje, com a cultura da produtividade excessiva, todas essas definições estão se misturando. Você trabalha durante o dia todo, respondendo mensagens, pois está acessível em qualquer lugar e a todo momento. Enquanto executa um hobbie, vem a pressão de fazer isso se tornar uma fonte de renda. Quando você para pra descansar, querem que você faça algo produtivo nesse tempo. Um momento que você tinha que parar porque iria assistir algo na televisão não existe mais, pois hoje existem serviços de streaming que ficam disponíveis a todo tempo. Um momento que você poderia parar e fazer uma refeição, enquanto come, fica assistindo reels e consumindo conteúdo. Todas essas coisas fragmentam o tempo em "pequenos presentes", e não há mais uma continuidade, apenas uma infinita sucessão de estímulos. E a dependência de estímulos rápidos é outra coisa que favorece o consumo, principalmente o excessivo. Ou seja...

A individualização transforma a pessoa em um ser isolado que precisa comprar do mercado tudo aquilo que a comunidade costumava fornecer: pertencimento, identidade e sentido.

Daí no meiozinho aqui, eu queria co-relacionar com um vídeo do comediante lá do Porta cujo nome não me lembro agora. No vídeo ele fala algo como os espetáculos estão se enchendo de pessoas que não vão mais para assistir um esporte ou uma celebração, mas apenas para "se assistir" e "gerar conteúdo" para performar nas redes sociais, sem nem se importar com o que está acontecendo ali. Estão deixando de viver para "mostrar que estão vivendo". Ou seja "A experiência deixou de ser uma coisa que você vive e virou uma coisa que você precisa provar que viveu". Ou seja, até mesmo quem comparece a um ritual que deveria ser algo coletivo, está transformando a experiência em algo individualizado. O momento não é sobre o que está acontecendo ali, mas como eu estou querendo demonstrar que estou vivendo aquilo.

Acho que querendo ou não, uma das coisas que agravou isso foi justamente a pandemia. Porque depois da pandemia, a única coisa que permaneceu foi essa forma de viver separado de outras pessoas, em isolamento, que descobrimos na época. Tudo sumiu e acabou, mas isso permaneceu. Tanto que, muitas pessoas relatam que depois da pandemia, perderam a noção de tempo, dos anos que se passavam.

Enfim, conclusão. Acho que a forma que tenho pra fugir disso é tentar continuar seguindo os pequenos rituais que tenho com minha família, e saber respeitar meu tempo de descanso/improdutivo. Respeitar as experiências que eu estou vivendo, registrando/tirando fotos só para se lembrar depois (ou comentar aqui para registro futuro meu próprio). Acho que já consigo fazer bem isso. Até porque não tenho muita paciência pra ficar perfomando pros outros, me sinto ridícula demais.

Anyways, acho que vou encerrar esse post por aqui. Vou deixar pra falar de anime e das comidinhas amanhã mesmo.

E por hoje, é só.

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