03 agosto 2026

The world is your runway

Eu assisti o Diabo Veste Prada 2. E confesso que eu não estava botando muita fé que ficaria legal. Mas, eu gostei bastante e achei que fez jus ao primeiro filme. 

Uma coisa que eu sempre vejo no cinema, que também já vi sendo comentada em vídeos de canais do gênero, é a coisa do segundo filme ser "mais e maior". Basicamente, é pegar o primeiro filme e encher de elementos mirabolantes para tentar inflar o projeto. O que não acontece nesse. Ele mantém o mesmo ritmo que conhecemos no primeiro filme, o que por si só já causa familiaridade. 

A história não vem com muita mirabolância, é uma continuação depois de uma grande passagem de tempo. E o que achei legal é que trabalharam muito bem a Andy, a Miranda e a Emily, para que sim, elas se desenvolvessem e evoluíssem nesse período que se passou, porém conservassem a essência da personalidade. Você sente essa mudança e ela vem de uma forma bem orgânica. 

O que achei interessante é que ele critica algumas coisas da indústria da moda, mas essas críticas ficam mais no subtexto, já que não é o foco do filme. As críticas mais claras são sobre o imediatismo e compressão das informações, agravadas pelo uso das redes sociais, e a forma que isso está sufocando a criatividade e a produtividade humana. 

O ponto mais alto da crítica, é quando Miranda está conversando com o suposto comprador da Runway. Ela conversa sobre manter a essência da revista, e ele diz que no futuro iriam substituir algumas coisas por AI. Ela aponta para o redor do local que estavam, indicando as pinturas nas paredes, falando sobre a criação humana. Ele responde, tomando como exemplo a cidade que estavam, que as obras de arte existiam e eram belas, mas a cidade estava engolindo elas e agora eram poucas. Que o melhor era fazer que nem pompeia e "deixar a lava levar", num sentido de "a evolução é inevitável e vai acabar com a criatividade humana, temos que aceitar".

E no fim, depois de tudo resolvido, a mensagem que o filme passa, é que apesar de toda inovação e transformação, o essencial precisa se manter o mesmo. E isso no caso é justamente a criatividade humana. 

Eu gostei da forma que trabalharam a relação entre as personagens. E a forma que tudo termina. A Emily vacila, depois assume o erro. A Andy aprende e evolui. A Miranda aprende a aceitar ajuda. E no fim, a história da Miranda e da Andy, que no primeiro filme tinha ficado um pouco em aberto, tem uma "conclusão" que achei satisfatória. 

Porque no fim, a Miranda fala algo muito importante para a Andy. Muito se discute no primeiro filme sobre quem seria o "vilão". Alguns falam na Miranda, outros falam no Nate. Mas um video que vi recentemente elucida isso bem, que é meio que "A Andy que buscou o que ela passou no primeiro filme". No sentido que ela não era uma vítima, mas responsável pelas escolhas que tomou ao trabalhar na Runway. Porque, nesse caso, não é como se ela não tivesse escolha ou dependesse do emprego. Tudo foi algo que ela quis, e no fim percebeu que não queria e por isso deixou tudo para trás. 

Mas no segundo filme, a Miranda deixa isso bem claro. "Você fez tudo por você". E a Andy concorda. E tudo bem, não tem nada de errado em buscar algo, ou aprender a gostar de algo. E acredito que foi isso que fechou tão bem a história. 

Enfim, gostei muito de tudo. Foi um ótimo filme. 

Já que estamos falando de filmes, eu queria comentar que aparentemente, filmes japoneses dos anos 60 são muito difíceis de achar. Eu não sei se é porque eu estava procurando pelo celular e eu como Millenial só sei fazer as coisas pelo computador, mas não encontrei nenhum filme em lugar nenhum. 

Daí, eu estava falando com a minha irmã sobre esse conto, falando sobre o assunto Yakuza e tal. E resumindo a conversa toda, chegou num ponto que ela me falou algo como "mas, fazer coisas sobre Yakuza não é nada de novo, muita gente já fez". E eu comentei que eu não queria necessariamente criar algo novo, e sim escrever sobre o assunto. E daí, eu percebi que eu gosto muito dessas historinhas clichês e tropes comuns, porém a maioria é hetero, e eu queria fazer versão GL. Eu tenho até uma história com tema de CEO pra se ter ideia... E como eu gosto disso, eu acho que é muito confort zone e atende bem o conceito de hobbie, o que me fez esfriar um pouco a cabeça no quesito de "caçar referência pra fazer algo quase historicamente acurado" até porque, além de tudo eu já tô suspendendo a descrença o suficiente com esse conto.

Daí então, comecei a escrever oficialmente A Flor e a Lâmina. Só estou fazendo algumas pesquisas pontuais só pra entender estrutura e cargos e outras coisas assim, até para ter algumas ideias.

Enfim, vou até atualizar os status.

E por hoje é isso.

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