30 julho 2026

É isso, porém nem tanto assim.

A Niara de ontem tinha escrito um post quase por completo em um tom bem mais melancólico. Porém a Niara que escreveu ele, era a Niara das 16h às 21h, que é uma Niara mais melancólica. A Niara de agora, a de 5h às 10h, e que retomou esse post, é uma Niara mais odiosa e sem paciencia. Portanto eu vou reescrever esse post melancólico com o que eu processei sobre ele até agora.

Há alguns posts, eu comentei que tinha encontrado vários blogs diferentes. Até criei o Awaitsuki pra me dar uma brecha melhor para comentar caso eu quisesse. Porém eu percebi que a "cultura" desses blogs é completamente diferente da minha cultura de blog. Não sei explicar tão bem. Meu blog tem uma entonação mais diário, mais informal, mais "estou escrevendo o que me dá na telha". Até meu jeito de escrever, eu dou uma despirocada, falo gíria, corto palavra, escrevo propositalmente errado. É o meu jeito de expressar. Eu posso escrever formal e bonito se eu quiser, no máximo precisando consultar alguma norma gramatical ou algo do gênero. Mas eu não faço, porque a proposta é justamente essa liberdade criativa.

Já esses blogs, quando eles não são voltados para temas específicos (moda, cultura, livros, culinária), são voltados para textos, crônicas, poesia, coisas mais específicas e etc. Não tô falando que isso é ruim, é só uma "cultura" diferente. São blogs que por mais que as vezes tenham um layout melhor trabalhado, não tem aquela questão que tenho de "o layout/template/design também faz parte da expressão criativa do blog". Muitos desses blogs, percebi que usam o mesmo layout desde quando começaram em 2010, sei lá. Enquanto blogs tipo o meu, e os que eu visitava enquanto adolescente, já tinham mais essa "coisa" da expressão individual como um contexto todo.

E me veio o pensamento (que é daí que eu falo que me senti melancólica) de, será que não existem mais blogs como na minha época (igual descrevi acima)? E foi procurando links no finado Onigiri Quase Prédio que cheguei a uma comunidade chamada Blogueiros Raiz. E lá, aí sim encontrei blogs atualizados (inclusive de pessoas da época do Onigiri) que já eram mais semelhantes ao meu, ou pela escrita ou pelo design. Encontrei um inclusive que a autora definia perfeitamente esse sentimento que eu tinha de "um lugar só pra tirar as ideias da minha cabeça".

Consequentemente, também encontrei o Entreblogs, uma outra comunidade que propõe temas específicos de posts, de forma que você escreve, seu post é compartilhado na página e consequentemente você consegue criar conexões, encontrar outros autores e blogs e etc. Eles inclusive propõem um desafio, no qual criaram toda uma temática de rpg para ele, que achei super interessante que é o BEDA (blog every day august). São coisas e esforços para tentar manter a comunidade viva, e eu acho isso extremamente louvável.

Mas eu por exemplo, não me encaixaria bem com esses "roteiros" que eles propõem, porque justamente a "cultura" do meu blog e dos meus hábitos de post são diferentes. Eu poderia sim, postar todos os dias, e fazer esses textos pré-definidos, mas... Não é o que meu hobbie está pedindo pra mim, eu enxergaria mais como uma responsabilidade. 

A parte que fiquei melancólica foi onde expressei essa "vergonha" de entrar em uma comunidade dessas. Aliás, não é bem vergonha, eu diria mais uma timidez. Uma recusa de não querer ter ninguém "mexendo nas minhas gavetas", no caso revirando meu blog e as coisas que eu escrevo. Essa recusa se estende até pessoas próximas, pois até então, nem meu namorado, meus pais ou minha irmã acessam aqui. E eu não entraria com o Awaitsuki, porque lá é só um projeto meu de recursos para blog (e assim ter uma boa vazão criativa de design), não é um local que eu necessariamente expresso ideias ou faço textos, conforme essas páginas propõem. 

Comentei também, que acho que essa necessidade que tive de conexão, de participar de algo assim, vem de uma necessidade quase instintiva do ser humano por valorização, vinda principalmente por outras pessoas. Valorizar vem justamente do "dar valor". E acho que faz parte da nossa existência como seres sociais buscar valor ou reconhecimento por aquilo que fazemos. O que muda, é de quais fontes que nos valorizam que nós nos sentimos satisfeitos.

Existem pessoas que só ficam satisfeitas quando são valorizadas por milhares de pessoas, de critério indiscriminado, por isso buscam, por exemplo, muitos seguidores. Outras pessoas, ficam satisfeitas pela valorização vinda de um grupo mais seleto de pessoas, que as vezes compartilham as mesmas opiniões e experiências. E outras já ficam felizes se recebem valorização de uma pessoa próxima apenas. E eu não sou diferente disso. 

Porém, entretanto e todavia, não vou dizer que cheguei a conclusão de "não preciso de valorização". Mas me questionei "é realmente essa a valorização que quero?". E no fim das contas, percebi que não. Que para esse blog o único valor que preciso receber é o meu mesmo. Que seja da Niara de amanhã, que seja da de semana que vem, que seja de daqui dois anos. O que eu estou criando aqui é algo que eu gostaria de olhar no futuro e dizer "ei, isso era legal", tanto no quesito escrita, quanto no quesito design. 

Outra coisa que percebi que me incomodou, e isso volta um pouco àquela questão dos ciclos curtos que eu comentei faz alguns posts. Eu percebi que muitos blogs que visitei estão no ar faz dez anos, ou algo assim, no mesmo endereço. Enquanto eu estou com o Liminal Blur faz dois meses apenas, em uma trajetória que passou por vários blogs. E cheguei a pensar que eu poderia juntar todos os meus blogs em um só, e terei algo semelhante a esses blogs. Mas, ao mesmo tempo não quero isso porque, não são fases da minha vida que eu emiti opiniões pelas quais eu me orgulho. E ser uma pessoa que mudou, que evoluiu e que aprendeu, e querer recomeçar, não tem absolutamente nada de errado. Ao mesmo tempo, tenho todo direito de não me expor e não me justificar por coisas idiotas que falei quando não tinha o cortex pré frontal totalmente formado. Eu não sou menor que ninguém por não ter um blog que mantive por dez anos. 

A coisa boa de tudo isso, é que mesmo não querendo interagir, eu posso visitar e ler blogs diferentes que estão sendo atualizados. A comunidade não está morta, e eu fico feliz por ela não estar. Mas fico feliz na distância a qual considero segura.

E por hoje é isso.

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