09 junho 2026

Um post estranho falando sobre espaços liminares

A palavra "liminar" vem do latim limen, que significa "limiar" ou "fronteira". Em termos simples, um espaço liminar é um lugar de transição. É um ponto A que serve apenas para te levar ao ponto B, sem ser um destino final por si só.

Tava refletindo um pouquinho sobre o próprio nome desse blog, Liminal Blur. O motivo que escolhi esse nome, o "desfoque liminar", é justamente falando sobre essas "fronteiras" que são "desfocadas", sendo que a fronteira é entre o que está na minha cabeça e o mundo real, e como essas duas coisas se misturam, portanto é daí que surge o desfoque. 

Mas enfim, o ponto que hoje eu queria conversar nem era isso. Eu queria falar sobre uma obsessão da internet que também se tornou a minha obsessão, que são os chamados espaços liminares. Fazendo uma pesquisa básica e rápida, espaço liminar é considerado aquele que tem uma ou mais características abaixo: 

  • Ausência de Função Original: Locais feitos para estarem cheios de vida (shoppings, escolas, aeroportos) completamente vazios. Quando você remove as pessoas e o movimento, o espaço perde o propósito e se torna bizarro. Esse tipo de local causa uma sensação chamada Kenopsia, a sensação sinistra e melancólica de um lugar que costuma ser cheio de vida, mas que agora se encontra abandonado e silencioso.
  • Arquitetura Repetitiva ou Sem Sentido: Corredores que parecem não levar a lugar nenhum, portas idênticas em sequência, ou janelas que dão para paredes escuras.
  • Iluminação Artificial Específica: Lâmpadas fluorescentes que zumbem baixinho, luzes de emergência amareladas ou a penumbra de um entardecer que nunca termina.
  • Sensação de Fora do Tempo: É difícil dizer se a foto de um espaço liminar foi tirada em 1995 ou ontem.
E esses lugares, como são familiares mas ao mesmo tempo não são, causam essa sensação de nostalgia bizarra, uma sensação de saudade ou lembrança de um local o qual você nunca esteve. Essa sensação é desconfortável, pois parece conectar a nossa realidade com uma realidade alternativa na qual a gente não viveu. E apesar de ter uma explicação neurológica para essa sensação, é difícil não se deixar levar pelo lado surreal da coisa. 

Eu mesma, já tive diversos sonhos com espaços liminares, onde as vezes é uma sala que dá para outra sala e dá pra outra sala, e assim infinitamente, ou corredores infinitos, ou arquiteturas que vão se distorcendo e me fazem acordar com uma sensação de "que...?".


Tanto que, atualmente, várias mídias exploram esse conceito, inclusive no gênero do terror. Pois esse desconforto inexplicável acaba se tornando uma narrativa para uma temática sobrenatural. Atualmente, está bem famoso o conceito de "backrooms", inclusive um filme sobre isso foi lançado recentemente (só ouvi falar, não vi nem trailer nem crítica). Backrooms é uma creepypasta que afirma a possibilidade de você dar um "noclip" (igual nos jogos quando você atravessa uma parede ou cai no infinito do mapa) na realidade e atravessa para um infinito de espaços liminares repleto de mistérios e monstros. Não é muito a minha vibe de conceito, porém dentro dessa creepypasta, começaram a aparecer histórias (porque o povo adora expandir o universo dessas creepypastas) de "sub-níveis" como classrooms, mallrooms, e dentre essas, uma que a estética me agradou bastante, que foram as poolrooms. Mas, a minha obsessão não é necessariamente as poolrooms em si com toda mitologia que criaram, e sim espaços liminares de piscinas. Inclusive eu tenho uma pasta do pinterest só para isso.


Além disso tudo, tem algumas mídias que eu gosto, principalmente jogos, que exploram esse conceito de espaço liminar e que eu gostaria muito de comentar, que são as seguintes:

A série Submachine, de Mateusz Skutnik

Eu conheci essa série de jogos quando era adolescente e acompanhei ela até o final. Pra ser sincera, eu entendi a história muito por alto, pois é complexa. Mas a submachine é basicamente realidades alternativas que foram se moldando, tomando como referência a nossa realidade. E parece que você está navegando pelos rastros daqueles que exploraram a submachine, enquanto tenta encontrar uma saída. E enquanto explora lugares vazios, lendo cartas deixadas para trás e entendendo o local que está a sua volta, é difícil não ter essa sensação tensa de "algo errado não está certo" ou a tal da kenopsia que citei logo acima. Tudo tem uma estrutura de grade e labirinto infinito, e parece que você nunca vai sair desse emaranhado. E por fim, você consegue escapar, supostamente. 

Algumas coisas nessa série não são muito claras pra mim, como por exemplo, quem sou eu nesse universo, ou como eu fui parar na submachine, ou sequer onde ela começa e se termina mesmo. Esse tipo de coisa o jogo não deixa muito explícito. Mas ainda sim é possível apreciar demais. 

Era um jogo feito em flash, mas depois foi otimizado para a steam, e hoje em dia você acha a coleção completa para jogar. 

Superliminal 


Superliminal é um jogo fantástico que junta o conceito de perspectiva, sonhos e espaços liminares. A primeira vez que tive contato com ele foi em uma gameplay, e assistindo a gameplay eu já chorei apenas pela mensagem final que ele transmitiu. Basicamente, depois de resolver todos os puzzles, passar por tudo, ter uma pequena sensação de perigo, no final do jogo a narração deixa com o jogador um texto muito simbólico. E eu estava em um momento da minha vida que eu precisava ouvir aquilo. Então, consequentemente eu acabei ficando um pouco emotiva. A mensagem da narração final é a seguinte:
Mas, na maioria das vezes, o problema não é que os problemas que enfrentamos não possam ser resolvidos. O problema é que ficamos tão assustados com o fracasso que nos recusamos a ver nossos problemas de uma nova perspectiva e, assim, fazemos as mesmas coisas repetidamente. E é aí que, claro, encontramos exatamente o fracasso que estávamos procurando.

Sua vida sempre será uma luta e você sempre terá problemas. Mas hoje, você teve a chance de ver as coisas de uma maneira diferente. Mesmo que isso significasse enfrentar obstáculos que pareciam impossíveis no começo, você pensou fora da caixa - e os superou. Porque você viu as coisas de todos os ângulos, você as entendeu pelo que realmente eram. Porque você continuou avançando, não importava quão longe do caminho você foi dito que estava indo, ou quão inesperado isso se tornou... você encontrou seu caminho.
(até lendo isso novamente me dá lágriminhas nos olhos)

Daí depois do chororô, eu quis adquirir o jogo para jogar. E joguei inteiro, porque além de tudo é um jogo extremamente divertido, cujos puzzles são muito bons e você precisa trabalhar com ângulos e perspectivas para avançar. Vale a pena demais conhecer.

Portal I e II

É uma das minhas franquias de jogos favoritas. Portal I é muito bom, mas eu queria focar mais no Portal II. Ele tem muito também esse conceito da kenopsia, de você estar passando por lugares que já foram habitados há tempos atrás, seguindo o rastro de pessoas que não estão mais ali, porém deixaram mensagens para trás. E isso dá uma imersão fantástica, onde você resolve os puzzles e vai atravessando essa infinidade de ambientes modulares, lidando com inteligências artificiais e explorando cenários gigantescos.

E obviamente tem uma história fantástica e trágica, em ambos. No I, a história é mais implícita, mas dá para entender bem o que aconteceu. E também temos o maravilhoso "THE CAKE IS A LIE". 

Detalhe interessante do portal é que justamente a "Portal Gun" (ela tem outro nome, porém não estou lembrando no momento) tem esse conceito ligar um lugar ao outro e essa confusão da arquitetura. Falando assim, deu até vontade de jogar novamente.
(todas as imagens foram retiradas do pinterest ou google)

Esses são algumas das mídias que eu gostaria de citar. Eu queria falar um pouco de filmes, algumas pessoas tem como referência os filmes do Kubrik, mas eu não gosto dele. Aliás, a maioria desses diretores famosinhos são otários polêmicos, porém isso é assunto pra outro post. Aliás, eu sou uma pessoa que não tem tanta referência assim em filmes, então... Não sei nem como opinar em relação a isso. 
Tem outro jogo que joguei, Stanley Parable que com certeza também entra nessa temática de espaço liminal, porém eu não gosto tanto dele assim pra escrever uma opinião. 

Por fim, esse post eu inaugurei a tag "assuntos específicos", que são esses posts que eu paro para falar sobre um tema específico. E é isso por enquanto.

Ah, e só mais uma coisa.

Eu consegui recuperar alguns layouts antigos, e acabou que eu lembrei da existência de um blog que eu nem me lembrava direito, o bbirthday. Sinceramente, eu não sei o que aconteceu com ele, se eu deletei ou se eu movi para alguma conta indefinida. Realmente não consigo me lembrar. Mas, só de ter limpado o sótão mais um pouquinho, consertado alguns layouts que achei que estavam perdidos, já me senti mais feliz. 

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