Em 2006, mais ou menos, quando pela primeira vez eu tive efetivamente internet em casa, fui introduzida para o mundo dos flash games de escape. Antes disso, o máximo que eu conhecia eram jogos no site da barbie, que eu adorava. Mas, nessa época, eu conheci um fórum da cidade de Chapecó, e sendo sincera, não sei como fui parar lá. Só sei que dentro desse fórum, tinha uma sessão de jogos, e dentre eles, os famosos jogos de escape/estratégia.
E o que são jogos de escape? Se tem alguém que não sabe, são jogos que você tem que resolver puzzles para sair de um quarto, ambiente ou situação. Normalmente são voltados para enigmas, uso de itens e etc. E tem também os jogos de estratégia, que não necessariamente você está tentando escapar, porém tem a mesma pegada de jogabilidade para avançar, normalmente mais voltados para o gênero de aventura.
O primeiro jogo de escape com que tive contato foi o Crimson Room. Aliás, o Crimson Room foi um dos precursores do gênero, que popularizou esse tipo de jogo. Criado pelo autor japonês Toshimitsu Takagi, em 2004, o jogo tinha uma premissa bem simples. Você acordava em um quarto vermelho depois de uma noite de bebedeira e tinha que arrumar um jeito de sair dali. E enquanto explorava o quarto, ia encontrando itens que combinados ou usados, faziam com que você avançasse. Ele teve uma continuação, o Viridian Room, que explorava melhor a história e dava um encerramento para ela.Por ter sido o primeiro que joguei, e acredito que para muitas pessoas foi o mesmo, ele obviamente ficou marcado pra mim.
A questão é que nunca fui muito boa em raciocinar o que exatamente os autores queriam propor, e virava e mexia eu precisava da ajuda de walkthroughs ou dicas para conseguir avançar e concluir...
Um grande exemplo disso, são os jogos da IDAC/Gotmail. Ao contrário da maioria dos jogos que tinham criadores independentes, a IDAC era uma produtora de software que se especializou em jogos do gênero, chegando até a criar jogos que faziam propagandas para empresas. E Gotmail era o site onde eram hospedados todos esses jogos, que podiam ser acessados pelo mundo todo.Eu sempre achei que eu era meio besta, mas depois de adulta fui rejogar e percebi que tem algumas coisas que não fazem sentido nenhum, ou talvez fazem sentido mais para o raciocínio japonês. Ou talvez eu seja meio besta mesmo. Independente disso, dentre esses jogos, tinha o The Privacy, que me marcou porque lembro que passei horas e horas jogando, tentando resolver, e mesmo seguindo dicas, eu ainda assim demorei muito para terminar. Os jogos do IDAC tinham esse visual realista que chamavam muito a atenção e se tornaram extremamente populares, como a elite dos jogos de escape. Outros jogos famosos dessa mesma produtora são Il Destino, The Bar, Strawberry Tomato e Bon Voyage (sendo que esses dois últimos, um é continuação direta do outro).
E atualmente, eu joguei The Privacy de novo e pensei "que jogo confuso", mas visualmente ele continuava maravilhoso. E também experimentei um que nunca tinha jogado, que se passa dentro de um salão de beleza. O engraçado é que era de madrugada, e do nada me aparece uma assombração em um espelho. Eu apenas falei "NOPE", fechei o jogo e fui dormir.
Outro jogo que tenho carinho especial, é o Chasm. Pesquisando aqui melhor sobre ele, descobri que ele também foi feito por uma produtora, que ficou conhecida por justamente esse jogo, de animações fluídas e visual caprichado. Não encontrei mais jogos dessa mesma produtora, então acho que foi um projeto único.Ele veio dentro de um CD da Digerati, você acompanhava um ornitorrinco tentando levar água de volta para a vila onde morava. Nessa época, eu não tinha muito acesso a internet, apenas discada, então passei muito tempo tentando resolver esse jogo. Ele é divertido, engraçado, tem uma ambientação muito agradável e uma trilha sonora muito boa.
Aliás, dentro do CD da Digerati tinha milhares de jogos em flash, e foi lá mesmo que conheci a maravilhosa série Submachine. Não vou me delongar muito sobre esta, porque já falei dela no post sobre espaços liminares. Mas segue sendo uma das minhas séries de jogos flash favoritas de todos os tempos.
Nessa época, tinha muitos jogos japoneses, e como eu não falo japonês até hoje, era adivinhar tudo de maneira intuitiva, já que alguns desses jogos não tinham tradução. E mesmo os que tinham tradução para o inglês eu tinha dificuldade, já que eu não falava na época. E um dos meus favoritos, desses em japonês era a série Dona Room. Na verdade, o nome do jogo é よくある脱出ゲーム, que traduz mais ou menos como "um jogo de fuga comum", porém quando os sites não falantes de japonês foram trazer o jogo, eles só pegaram o nome da produtora "DONA" e deixaram o nome assim mesmo (inclusive essa informação eu descobri agora, porque na minha cabeça era Dona Room mesmo).São quatro jogos, cada um se passa em um local de uma casa. Os puzzles tem muita coisa de descriptografar símbolos simples que você encontra pelo local e fazer contas para achar códigos. Ele tem uma pegada mais divertidinha, e eu lembro que quando joguei depois de adulta, usei o google tradutor em alguns elementos do jogo, e descobri que na verdade ele é bem cômico. Pesquisando agora, descobri que o criador justamente fez esse jogo como um deboche aos jogos de escape sérios. Eu gosto bastante dele.
Acho que eu não podia fazer esse post sem citar um clássico brasileiro, que é "O quarto" da MePixa, pelo autor Andrés Calil. Era um jogo divertido com uma pegada de mistério, nesse estilo escape room. Infelizmente, te falar que esse jogo e a continuação são os únicos que joguei criados por brasileiros, que me lembro. Talvez depois eu venha a pesquisar sobre, se acho mais jogos criados por brasileiros. Se eu der sorte, consigo encontrar no Flashpoint, afinal já encontrei lá jogos do extinto site do "iguinho" (que inclusive é uma história interessante que eu podia comentar depois, as vezes em um post de desenhos brasileiros). Por fim, eu queria muito falar de jogos que são antigos, porém que eu conheci recentemente, que são os jogos do Neutral, sendo esse um criador solo. Eu joguei o perfeito, lindo, maravilhoso Elements (que até comentei em um post passado, mas estou repetindo nesse). E posso afirmar com toda a certeza que foi o melhor jogo de escape que já joguei. Ele é incrível, os puzzles tem continuidade, você consegue resolver tudo por lógica (coisa que não acontece por exemplo em jogos do IDAC, que as vezes você descobre algo pela tentativa e erro). No Elements, precisei de algumas dicas quando empaquei, porém outros jogos do Neutral consegui resolver tranquilamente sozinha. Eu fiquei completamente apaixonada, e fui feliz por ter descoberto isso depois de tanto tempo.Enfim, tem vários outros jogos que me lembro que joguei quando era mais nova, e felizmente consegui encontrar absolutamente todos os que já joguei no FlashPoint. Acho incrível eles terem conseguido reunir esse acervo, uma vez que o Flash saiu do ar faz um bom tempo. E espero continuar explorando e descobrindo outros jogos que deixei passar. Ainda queria comentar sobre a série Cube Escape, porque essa eu queria rejogar, pois é uma história complexa e surrealista, então provavelmente terão mais posts como esse.
Só um adendo final e nada a ver com o assunto, que hoje eu achei que a Mia ia de arrasta. Contextualizando, dia 15 o blog faz mesversário. Daí o que eu pensei "vou gerar uma imagem da Mia, segurando um bolinho de aniversário". E meu deus, que erro que cometi. Aparentemente, pela quantidade insana de geração de imagens com tema de "feliz aniversário" (as AI Slop), o Gemini simplesmente BUGA quando vai gerar imagens do gênero. Ele não conseguia acertar de jeito nenhum, nem tendo imagem de referência. E depois, ele parou de gerar imagens da Mia igual tava gerando, deixando ela diferente, tanto no traço quanto nas características. Eu realmente achei que a AI não iria conseguir gerar ela igual sempre gerou. E realmente achei que não conseguiria gerar mais imagem nenhuma dela. Aí depois de abrir uma conversa nova e editar muito prompt, chegando a estourar o limite de geração de imagens, acho que consegui consertar. Mia is alive, but the cake is a lie.Enfim.





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