Meu pai e eu consertamos o carro. Bem, pelo menos temos quase absoluta certeza que sim. Eu até consegui rodar nele. No final das contas, acabou sendo simples. E eu ✨ajudei✨.
Cansados de não achar ninguém que pudesse resolver o problema, sendo que um mecânico passou aqui em casa para ver e disse "ain não faço isso, não mexo com câmbio", meu pai decidiu tentar desmontar a peça lá para ver se era algo que podia ser feito. Aí ele conseguiu remover a pecinha defeituosa, e assim saímos para procurar alguma que pudesse substituir. Tinham que me ver sendo muito muito adulta na loja de auto peças. Meu pai resolvendo e comprando as peças e eu mais ou menos nessa expressão aqui do lado 🠔 falei com muita convicção "deixa que eu pago".Mas não ficou caro, a peça problemática eram duas travinhas de plástico cujo nome não me recordo agora. Depois, passamos certa dificuldade para trocar a bendita travinha, eu segurando e meu pai tentando encaixar a peça no espaço.
E por fim, quando a coisa foi resolvida e eu fui sair com o carro eu tava tremendo mais que chihuahua, e eu nem sei porque eu tava nervouser desse jeito. Ainda tem algumas coisas para arrumar, mas o importante é que está rodando de novo. Menos um problema. 🙌
Enfim mudando de assunto da vida pessoal e passando pra um assunto específico, queria levantar pra mim mesma a questão do, qual a importância do silêncio? Vi um post de um rapaz cujos vídeos estão aparecendo pra mim recentemente, falando algo como "ouvir musica o tempo todo não é normal". Ele fala algo como a gente não se permitir ouvir nossos próprios pensamentos ao meio que usar o som e o ruído para "abafar". E eu achei o tema do vídeo interessante e pertinente e quis escrever sobre ele.
No vídeo, ele cita que seres humanos são criaturas capazes da chamada metacognição. Algo como "pensar sobre o próprio pensamento". Eu não conhecia o termo e decidi pesquisar um pouco melhor sobre. É como se fosse a nossa própria capacidade de observar e gerenciar nossos próprios pensamentos. Algo como... Sabe quando você tá pensando em algo que não deveria, e logo depois pensa "pare de pensar nisso"? O fluxo de pensamento é o cérebro gerando informações, enquanto o "comando" é a nossa "voz interna" agindo para regular e tentar mudar a roda do pensamento.
E porque isso acontece? Existe uma coisa no cérebro chamada de "Rede de Modo Padrão" que é nosso "piloto automático". Quando o cérebro não está focando em nada, ele "liga" esse modo, e junto dele começam a vir os mais diversos pensamentos, como trazer memórias, criar cenários hipotéticos, pensamentos aleatórios e etc. E esses pensamentos gerados se tornam conflitos, tanto em relação ao pensamento em si, quanto em relação a tarefa que estamos fazendo, e o nosso cérebro é programado para resolver conflitos. Portanto, quando ele percebe que o fluxo de pensamentos está incongruente, ele envia um comando para interromper e regular. E isso é válido para várias outras situações, desde o aprendizado, a regulação emocional e muitos outros.
Permitir que o cérebro se auto regule através da metacognição é uma forma de processar, organizar e recobrar o fôlego. É um processo necessário para processar acontecimentos e traumas. E uma das coisas que a neurociência debate é justamente o uso do tédio como ferramenta para permitir que o cérebro entre no modo "piloto automático" e consequentemente se organize. Um ambiente calmo também é uma maneira do cérebro "relaxar" e dizer "está tudo bem" e portanto a voz interna pode fazer seu trabalho sem ser interrompida pelos estímulos externos e pela ansiedade.
Porém, quando você passa o tempo todo ouvindo um vídeo ou uma música ou evitando sua própria voz interna, seu córtex pré-frontal permanece concentrado no mundo de fora e o cérebro não "liga" o "piloto automático". Quando não nos permitimos ficar entediados, sem estímulos externos, nosso cérebro não se permite organizar, o que a longo prazo pode causar uma extrema fadiga mental e sobrecarga emocional.
Não é a toa que durante o banho, quando estamos em silêncio e relaxados, que os pensamentos e ideias mais mirabolantes acontecem.
Então, dito isso tudo, eu queria comentar sobre o fato que eu sou uma pessoa que aprecia muito o silêncio. Quando eu me percebo em uma situação de silêncio total ou quase total, eu relaxo de uma forma muito agradável. E acho que comecei a apreciar isso ainda mais depois de adulta e depois que comecei a trabalhar em um local muito barulhento. Meu trabalho é barulhento, com as máquinas e vozes e etc, o caminho pra casa é barulhento (por causa do ônibus/trânsito/pessoas conversando), lá em casa durante certo período é barulhento (por causa dos vizinhos). Então raramente posso apreciar um momento silencioso e calmo.
Mas, tem gente que parece que não consegue tolerar o silêncio. No vídeo do moço, falava sobre o medo de ficar a sós com os próprios pensamentos. E eu penso o quanto isso deve ser horrível, não poder apreciar a própria companhia, seja por um problema tipo ansiedade ou seja por medo de encarar os próprios sentimentos. O que me faz pensar, o quão ruim é para essas pessoas estar na própria cabeça. Eu tento retomar a época em que estive pior e nem assim eu imagino não gostar de estar na minha própria companhia. Mas talvez na prática, elas nem façam ideia disso, só pensam ser um hábito comum do tipo "ai, não consigo ficar sem música".
E acho que na geração atual que todo mundo tem uma "caixinha de distrações" na palma da mão, está cada vez mais difícil dar espaço para o tédio. E o excesso de informações de certa forma vicia, porque a gente tá sempre pedindo mais e mais estímulo. Tanto que tem horas que a gente não consegue focar só numa coisa, só em ver um vídeo, só em assistir um filme, tem que ter o celular junto ou fazer outra coisa junto.
O problema é que junta o excesso de estímulo com a falta da organização, ambos problemas originados pela mesma causa (fora as outras milhares de coisas), e talvez por isso que estejamos todo mundo meio ruim da cabeça. Tem muitas vezes que ficamos nos perguntando se essa "epidemia" de ansiedade e depressão é algo realmente moderno ou que sempre existiu porém antigamente não era documentado corretamente. Mas eu penso que, se comparar com uma época onde não existia o imediatismo que tem hoje, é meio que muito provável que as coisas tenham piorado. É uma coisa que eu penso muito, as vezes. Em relação ao passado, o que melhorou e o que piorou? Eu vejo pessoas defendendo ferrenhamente "antigamente era muito melhor" e esse tipo de comentário eu acho que vem sempre muito enviesado pela nostalgia.
Mas enfim, onde que eu quero chegar com esse raciocínio: Temos pessoas com uma sobrecarga de não só o mundo atual como o peso do passado que ficou pra trás, que não estão sabendo lidar com o avanço da modernidade. E talvez isso crie uma pressão tão grande, que as pessoas estão cada vez menos querendo lidar com os próprios sentimentos. E quanto menos elas querem lidar, mais barulho elas fazem. E quanto mais barulho tem, menos as pessoas botam a cabeça no lugar. E só vai virando uma grande bola de neve de gente muito instável. Não sei se tem uma relação necessariamente direta, só acredito que seja mais uma das coisas que influenciem.
Bem, não tenho muito a acrescentar nessa viagem da maionese minha além do fato que eu queria que o mundo fosse mais silencioso um pouco. Mas, aprendi várias coisas novas sobre o cérebro fazendo esse post, e as vezes sabendo disso, vou valorizar melhor meus momentos de tédio.
Por fim, e talvez menos importante que o resto, a minha nova experiencia culinária é o omelete de banana. É um omelete que fica meio doce, mas fica muito gostoso e supostamente fitness. A receita é bem simples.
Dois ovos, banana amassada, uma colher de leite em pó e canela. Apenas. Talvez com mel fique bem gostoso.
Fica tipo uma panqueca que não leva farinha, acho. Quando eu fizer de novo e ele ficar bonito (o primeiro ficou meio tostado), eu posto aqui. E é isso por enquanto.

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