29 maio 2026

I do not think therefore I do not am

Não sei porque cargas d'agua eu me lembrei hoje de quando eu era pequena, e perguntei pro meu pai algo como "pai, qual o cargo menos importante da empresa que você trabalha?". Obviamente, não foi exatamente nessas palavras, mas a intenção da pergunta foi essa. Meu pai pensou um pouco, mas não soube responder, ele me disse algo como "todo mundo lá é importante". Na época, meu pai era meio o sócio/dono da empresa, e a minha curiosidade acredito que era pra entender o nível de importância que meu pai tinha lá dentro.

Hoje depois de mais velha, eu entendo que dentro de uma empresa não pode existir alguém que não seja importante. Aliás, não pode existir um cargo que não seja importante. Porque todos nos sabemos que no capitalismo, ninguém é insubstituível. Todo mundo é considerado engrenagem, e como engrenagem tem potencial de quebrar, ser descartada e consequentemente, trocada.

Mas ainda assim, o que dá a impressão que existem pessoas consideradas inúteis dentro de empresas? E veja bem que nem estou falando do trabalhador, e sim dos grandes cargos administrativos, os de colarinho branco. Será por causa das séries e filmes, naquelas empresas que nunca sabemos bem o que fazem, mas o protagonista sempre tem uma "papelada pra resolver ainda hoje", sempre tem aquele personagem, aquele "chefe babaca" que parece não fazer nada, porém ainda sim se mantém na empresa? Ou por exemplo as piadas, como essa antiga, que resumindo, fala que entrou um bicho na empresa ou algo assim. O bicho comeu sei lá, o supervisor de vendas, o gerente de processos, o analista de marketing, e ninguém notou. Porém quando o bicho comeu a moça do cafezinho, aí então todo viu e matou o bicho. Eu não sei contar piada.

Eu sei que obviamente a hierarquia é baseada em nível de responsabilidade. Porém, dá uma sensação que quanto mais "alto" a pessoa está, mais subordinados tem a ele. Consequentemente, parece que ele trabalha menos, pois sua função é apenas delegar as tarefas para quem faz o trabalho, ou seja, os subordinados. Mas ainda sim ele ganha mais, porque teoricamente, detém a maior responsabilidade. Mas e quando o processo está tão bem definido que os subordinados já conseguem fazer sem a necessidade desse administrador? Ou seria essa a pessoa a tomar as decisões sobre o que fazer, portanto detém mais responsabilidade? O mundo corporativo é confuso.  

Pra minha sorte, eu nunca trabalhei em empresa grande o suficiente para chegar a não conhecer alguém da empresa. Normalmente eu sei quem todo mundo é, e o que cada um ali faz. Já até gerenciei um setor, mas era a famosa gepone (gerente de porra nenhuma), que eu só recebia e intercedia as coisas e organizava as demandas, e levava a culpa por quem eu gerenciava, porém nunca tinha autonomia suficiente para tomar decisões mais drásticas. 

E engraçado quando fui gerar a Mia para esse post, eu pedi para colocar ela sentada trabalhando. Não pedi nada específico, então o gemini procurou elementos comuns referentes a trabalho. E o que achei curioso foi justamente essa representação na tela do computador dela, de documentos que ninguém sabe o que estão escritos, gráficos de dados que ninguém sabe o que são e a roupinha corporativa de terninho, blusa social e saia. E de curiosa, procurei no google "pessoas trabalhando em escritório", veio justamente essa representação visual, essa estética "working", sei lá que nome eu poderia dar a isso. Essa imagem da pessoa que trabalha nos centros urbanos, carrega um macbook para cafeterias que são coworking, ou essa outra imagem de reuniões (sendo que todo mundo que já trabalhou sabe que reuniões nem sempre são úteis e podiam ser resumidas em um e-mail). E eu não sei se é porque nunca trabalhei em grandes empresas, mas nunca tive nada nem próximo dessa estética. Até quando trabalhava em escritório. 

E agora parando pra pensar, será que as pessoas, principalmente no linkedin, tentam ficar performando essa estética? Não só as pessoas, como todo o mundo corporativo em si? Com toda essa extravagancia em eventos (como um que eu estou fechando agora), networking, jargões corporativos, extensas reuniões para nada, happy hours cheios de sorrisos falsos? E será que com isso, estão esquecendo o que realmente é importante? 

Enfim, não sei muito bem onde quis chegar com esse texto. É só que essa estética corporativa é confusa demais pra mim. Parece desnecessário. Ou as vezes é um mundo que não me pertence, e seguirei trabalhando em empresas menores onde eu conheço todo mundo.

Mudando de assunto (porém mantendo o assunto de empresa mercenária). Foi finalmente lançado o Paralives, e estou bem tentada a comprar, aproveitar que está em promoção. O jogo ainda está em fase inicial e as pessoas relataram muitos bugs, porém todo mundo elogiou muito a atmosfera do jogo. Eu fiquei feliz pra caramba que finalmente o The Sims ganhou um concorrente (ou concorrentes, porque também tem o Inzoi, mas esse não joguei ainda). 

E falo isso porque The Sims é um dos meus jogos favoritos da vida. Porém, entretanto e todavia, a empresa que gerencia, a EA, é uma mercenária. É uma ridícula. E principalmente a geração quatro, as expansões e conteúdos personalizados custam caríssimo, fora que eles lançaram tipo um "marketplace" para tentar monetizar em cima de conteúdo criado pela comunidade, que antes eram Custom Content / Mods. É praticamente impossível de conseguir todo o conteúdo sem desbancar uma quantidade gigantesca de dinheiro. E eles cometem essas práticas abusivas na certeza que por não concorrente do gênero, podem tomar qualquer decisão, mesmo que prejudique o consumidor. Porém, acho que a partir do momento que ele tiver um concorrente, ele começam a ficar mais espertos. Quer dizer, assim espero. Porém duvido. 

Por fim, hoje é sexta feira, e vocês não tem noção da satisfação que eu vou ter quando eu chegar em casa e concluir essa mais essa semana com êxito (fé que nada vai acontecer de tarde e no caminho de volta, já que hoje estou dirigindo). Vamos torcer. 

Edit.: Deu certo clã, cheguei em casa sã e salva. VENCEMO A SEMANA.

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