Esses dias eu falei do meu carro. Hoje eu voltei de férias e efetivamente comecei a ir de carro. A questão, é que eu também comentei que de uns tempos para cá eu estava tendo sintomas de ansiedade. Eu tenho quase certeza que as duas coisas estão interligadas, talvez não totalmente, mas uma influencia muito a outra.
Daí, como eu falei logo ali em cima, decidi colocar um pouco pra fora.
Eu não sei de onde vem esse medo. Eu sei conduzir o carro na medida do possível, e atravesso o transito. Tive uns pormenores, esbarrões, batidinhas que talvez tenham ativado coisas em mim. Ouvi várias vezes que "isso é normal, acontece com todo mundo, inclusive motoristas experientes". Mas não sei dizer porque essa frase não me traz conforto. Eu sinto sintomas quando preciso dirigir (na ida para o trabalho ou na volta), só de pensar meu estomago revira, vem as borboletas no estômago, o enjoo, o corpo treme. E todo mundo fala "logo você acostuma" mas eu tenho medo que não. Tenho medo de ter uma crise de ansiedade ou um colapso mental antes que eu consiga acostumar.
E eu não quero dar uma de incompreendida, mas toda vez que tento conversar com alguém, eu ouço coisas como "é normal" ou "você precisa ficar calma". Eu queria saber expressar realmente o que eu sinto. Eu queria saber o que eu preciso ouvir para parar de sentir isso. E eu penso comigo "realmente eu preciso dirigir pra isso passar", mas a única coisa que eu consigo imaginar é uma dor que eu preciso sofrer, até me acostumar com ela. E o processo me assusta.
Além de tudo, eu não sei como posso lidar com a minha ansiedade. Eu não quero ir no médico, não que eu desacredite nos remédios e nos métodos, muito pelo contrário, sou ferrenha defensora. Porém, eu já tentei usar remédios antes e o processo de adaptação é intenso e eu sinto que pode me atrasar para chegar nos lugares que estou tentando chegar, que é uma vida mais confortável, com mais privacidade, no meu cantinho.
Fora que, eu não queria que a ansiedade me afastasse do que eu tenho hoje. Do meu emprego, do meu namorado. Porque a tendencia é essa, sua cabeça quer se livrar de absolutamente tudo o que está na sua volta, na tentativa desesperada de conseguir se acalmar. Porém, esse "se livrar" pode acarretar em consequências drásticas, como afastar as pessoas a volta e até mesmo pensamentos de auto extermínio.
Ou seja, no fim das contas, enfrentar essa ansiedade é uma batalha. Uma batalha estranha que eu preciso batalhar. Não só preciso, quero. Para conquistar minha independência. Para conquistar coisas que virão de forma mais fácil no futuro. Não tô falando só do carro, falo de experiencia profissional, quando olho para meu emprego e vejo que quero sair porque estou passando por muito stress. Pelo meu carro, o qual queria largar de lado para ir de ônibus, mesmo que eu já tive diversas experiências ruins com ônibus, nas quais tudo o que eu queria, era um carrinho. É o desejo que eu tenho de poder ter uma vida mais saudável para logo eu poder ter meu filho/a. E pra eu chegar lá, é uma batalha árdua, que eu espero ter todas as forças necessárias. Que minha mente seja forte, que eu consiga me acalmar dia após dia. Que mesmo com o cansaço eu possa seguir em frente e toda vez que eu pensar "eu não consigo", eu lembrar que todas as vezes que pensei nisso, eu fui lá e consegui. Eu preciso ser forte para mim mesma.
E eu quero entender melhor essa ansiedade minha. Entender onde está meu medo e porque meu corpo fica em modo de alerta. Entender antes de virar um experimento químico de toma remédio/não deu/troca/toma remédio. E aprender a lidar com isso da forma que eu conseguir. Seja escrevendo, ou fazendo outra coisa que eu goste.
E tá tudo bem. Eu tô lutando por uma boa causa. Vai ser maravilhoso quando eu perceber que venci. Vai ser maravilhoso quando eu perceber que consegui. E se eu não conseguir, que pelo menos eu pude aprender.
Por hoje é isso, eu espero poder compartilhar mais coisas legais daqui pra frente. Vamos comemorar as pequenas vitórias. Vamos lembrar onde queremos chegar.
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