21 maio 2026

Antigamente ninguém enxergava nada nos blogs

E tava tudo bem, aparentemente...? 

Revisando (com o wayback machine) minha época de blogger, por volta de 2009, há 16 anos atrás, eu (que já sou muito míope) tive dificuldade de ver os layouts do passado. Não sei porquê, era uma moda entre os blogs colocar tudo em tons muito pasteis. Tudo. Pastel em cima de pastel. Quase uma feira de domingo. E eu lembro que fazia coisa em tons pasteis e nessas letras miúdas. 

Mas antigamente a resolução das coisas era outra, com os monitores antigos. Tudo acabava ficando maior, e na hora que a gente vê em uma resolução atual, fica minúsculo. E a tendência, é que esse blog mesmo, daqui uns anos quando a resolução for algo como cinco mil pixels ou algo assim, pareça pequeno.

Maas, essa coisa de antes versus hoje em dia me deu uma ideia. Assim como o design das coisas mudam, e tudo mudam eu também mudei. 16 anos é muita coisa. E como eu me fiz o favor de jogar todos os meus blogs em um único lugar, eu consigo achar muita coisa que escrevi de um jeito fácil. Infelizmente, tudo o que fiz no blog do uol, o domínio .zip.net, se perdeu com o tempo, pois esse não existe mais. Mas felizmente, uma boa parte da minha vida blogger foi no blogspot, ou seja, muita coisa foi salva.

Pensei em revisar algumas coisas que escrevi, e ver o que eu ainda concordo e o que eu refuto sobre mim mesma. 

Escrito em 2010:

"Anyway, depois que a minha vó disse que um ovo da Polly Pocket era a minha cara, eu não preciso escutar mais nada por hoje."

Nikita do céu, você não tem noção o quanto ela estava certa. Não sei qual das minhas avós que disse isso, que Deus as tenha. Eu tirei uma frase simples do contexto de um post de páscoa, porque achei engraçado que eu estava muito nessa fase da adolescência de querer ser sombria, admirar anti-heróis (inclusive posts exaltando frases de personagens nessa categoria). Naturalmente, há essa rejeição de coisas "girly" e fofas. Aí depois de velha, a gente percebe que tudo tem espaço no nosso coração. Eu consigo ser gótica suave e achar que um ovo da Polly Pocket ainda é a minha cara. E tá tudo bem.

Escrito em 2010:

"Eu não preciso ouvir esse tipo de coisa. Depois de todo o cansaço e estresse que eu passe na escola, depois de cuidar da casa, depois de ir trabalhar na loja da minha mãe e ainda chegar em casa cansada, eu tenho que ficar ouvindo desaforo, como se eu ficasse o dia inteiro de papo pro ar.  [...] Ninguém tem o mínimo de consideração pelo esforço que estou fazendo. Eu sei que não e O ESFORÇO, mas eu estou fazendo o possível para ajudar. Mas eu também sou humana, fico cansada, estressada como todo mundo. Eu acho que o trabalho das pessoas seria muito melhor se as outras pessoas tivessem o mínimo de consideração pelo que todos fizessem. Assim manteriam as pessoas motivadas para melhorar seus trabalhos. Mas você acha que todos se importam com alguma coisa além de seus próprios narizes?"

Eu não fazia ideia do que era stress nessa época. Mas, quando somos adolescentes, também não temos essa noção até começar a entrar na vida adulta. Eu ainda estou na busca de me tornar uma adulta premium, como eu disse uns dois posts pra trás. E parando pra pensar, aquela época da vida era bem fácil. 

Porém, eu ainda sinto esse incômodo que eu tenho em ouvir certos tipos de comentário. Porque as pessoas não se colocam nos sapatos de outras antes de criticar ou sugerir algo. E as vezes acabam sendo inconvenientes demais em seus comentários, e confesso que isso é uma coisa que me irrita.

E concordo também que se as pessoas dessem mais valor para o esforço das outras, seria mais fácil passar por essas situações. Exemplo disso é o que eu passei ontem. Comentei com minha tia que estava cansada (porque voltei dirigindo pela primeira vez totalmente pra casa, sem falar que o dia foi corrido). E ela já mandou na lata "tá cansada porque saiu de férias agora??". Tipo, qual a necessidade? O que custa ser mais gentil, sabe? 

Escrito em 2014:

"Sim, é preconceito deixar de usar alguma coisa só porque ela é usada por algum outro grupo pelo qual você não se identifica. É como se determinados grupos se apropriassem de determinadas marcas e todo mundo cair na falácia de achar que só quem é de tal jeito, usa tal marca."

Sim, é isso. E ainda concordo com isso. Mas hoje em dia eu entendo melhor a relação de valor / exclusividade. E isso vai muito além de bens de consumo, como roupas e bolsas, e migra até mesmo para estilo de vida, alimentação e etc. A exclusividade, ter algo que poucos possuem é o que agrega valor para algo, mesmo que seja completamente estranho. É uma discussão longa que eu queria aprofundar melhor, de como essa vida wellness também tenta vender valor baseado na exclusividade. 

Mas esse post, falando exclusivamente de Melissas (a sandália), mostra claramente como as consumidoras, vou estimar que sejam de uma classe trabalhadora premium (a famosa classe média), deixaram de ver valor na marca quando ela passou a ser usada por mais pessoas. Enfim, essa é uma discussão maior e eu concordo com a eu do passado, mas eu tenho TÃO MAIS a adicionar sobre isso...

Escrito em 2013:

"Na marcha das vadias, as mulheres protestam com os seios, vulgo peitos, de fora, ou quase nuas, vá saber. Todo mundo sabe, que atualmente o sinônimo maior para não se levar a sério uma mulher, é o fato dela usar pouca roupa. Mas é! Você ve aquela mulher de pouca roupa na rua, nem leva o papo dela muito a sério, já temos esse preconceito que ela é uma estúpida lesada. São estereótipos, fazer o quê. Mas enfim, seguindo essa lógica, mostrar os peitos nessa ocasião seria simplesmente sinônimo de não ser levada a sério. Acho que se elas quisessem mudar esse estereótipo, teriam que começar se adequando a ele, tipo, indo vestidas normalmente, e depois que as pessoas levarem elas a sério, começarem a pregar seus preceitos. Isso na minha opinião."

Rá, minha épocazinha de anti-feminista que depois se revelou efetivamente com um Feminismo Radical Anárquico®. Mas é tanta, mas tanta coisa que aprendi de lá até aqui que não caberia em um post. Ao dizer isso, eu não levava em conta que existe uma sociedade baseada no patriarcado, que sexualiza e erotiza o corpo das mulheres a um extremo. E que se adequar a isso, conforme eu argumento na citação, é justamente ceder ao sistema. E tem mais coisas que eu falei, como "o órgão sexual faz além de sexo?" sem entender todo papel de gênero que é condicionado à uma mulher apenas pelo seu órgão, portanto a forma que ela será tratada por toda sua vida. E ainda mais falando sobre a questão de aborto, onde se trata mais de uma questão de saúde pública, em uma sociedade que responsabiliza a mulher pelo dever da contracepção e a julga quando os métodos falham. É muita coisa que eu poderia contra-debater. E nossa, eu poderia fazer outro post inteiro falando sobre isso, mas consigo afirmar com certeza que minha visão na época era muito limitada. 

Mesmo que ainda haja uma discussão atualmente sobre o "dê a eles o que eles querem" em transformar hipersexualização em empoderamento, sem realmente debater sobre a verdadeira liberdade sexual, que possa casar de leve com ideais anti-feministas, ainda assim eu estava toda errada. Talvez um dia eu destrinche esse post por completo.

Escrito em 2013 (aparentemente essa era uma época bem ignorante da minha vida, but xóven):

"Além do mais, deveriam ter matérias que realmente desenvolvessem o lado crítico dos estudantes, buscando a opinião deles sobre situações e acontecimentos do mundo."

Então, sim. Porém, não. Na época, parecia correto dizer isso, pois o nível de informações que recebíamos era bem menor. Mas hoje em dia, acima de priorizar formar sua opinião sobre algo, falta nas pessoas uma habilidade de pesquisa, busca, leitura e checagem de fatos. Pois todos tem seu lado crítico e opiniões enviesadas sobre todas as coisas. E o fluxo de informações que chega a nós todos os dias é muito grande. Ainda mais com o advento da AI, o que é verdadeiro e o que é falso está se misturando com muito mais facilidade, em meias-verdades e manipulação de fatos de forma conveniente.

Portanto, não é apenas formar senso critico. É aprender a procurar os fatos, questionar "isso é real?" e não se deixar levar por opiniões de pessoas que só visam o lucro, mesmo que eles apresentem "estudos" que embasem as informações tendenciosas que falam. É preciso estudar e pesquisar. E muito. 

"Concluindo: Na minha opinião, o que deve se mudar na escolas não é sua estrutura. E sim o modelo de ensino, o modelo de abordagem e PRINCIPALMENTE, os professores."

O problema aqui não é o professor, o trabalhador que precisa trabalhar de dois a três turnos para receber um salário lixo. O problema é sim uma estrutura sucateada e que não fornece nem suporte para o aluno, nem para o contexto a volta dele, ainda mais quando se trata de escolas de classe pobre. Esse debate da estrutura de ensino é algo que é muito levantado de forma a descredibilizar o sistema de educação, quando na verdade o problema é social. 

E pra ser sincera, é um assunto que preciso de mais leitura. Esse é outro que um dia eu posso estar debatendo sobre. 

Escrito em 2013:

"Mas, seguindo a minha semana desaventurada, na qual meu celular foi roubado (MIROSMAAR ; – ;)"

MIROSMAAR ; – ; Meu póbi Galaxy Y que foi roubadito. Triste. 

Escrito em 2013:

"A moda agora entre as mulheres é ler o tal do 50 tons de cinza. Como diz a minha colega de faculdade: Eu tenho é 50 tons de preguiça de ler 50 tons de cinza. Eu também estou morrendo de preguiça. Minha lista de leitura está muito grande (Coleção linda do Assassin’s Creed + Livros da Faculdade + Novo Testamento) para eu perder o meu tempo com um gênero que eu nem gosto, que é romance meloso com uma mulher bobona e um macho alfa."

Sigo com preguiça. Ah mas Nikita, se você soubesse a bolha de romances eróticos que isso ia estourar... E você segue com preguiça. 

(Mas romance meloso de mulher supostamente bobona e outra mulher alfa ce gosta, né?)

BTW, Assassin's Creed nem é tão bom assim (nem André Vianco).

Escrito em 2010:

"É, meus caros, a coisa tá feia. Como não há lei que regularize o nível das campanhas, os dois candidatos à presidência estão jogando pesado. Tanto que as propagandas eleitorais da Dilma só falam do Serra (mal, claro), e as do Serra só falam da Dilma. Bem, no ultimo post, pelos comentários, eu constatei que está meiado. Tem pessoas que apoiam o Serra, tem pessoas que apoiam a Dilma. Bem, como eu disse no post passado, eu estou tendencionando para o lado do Serra. – se você apoia a Dilma, ou qualquer coisa e mesmo assim ler isso, não venha me aplicar sermão depois. É só a minha opinião. – Não que eu goste, ou confie nele, mas acontece que a Dilma é que nem uma tartaruga em cima de um poste. Você não sabe como ela chegou lá, não sabe quem colocou ela lá, mas sabe que ela vai cair uma hora".

*Vislumbres traumáticos da época do Bolsonaro até atualmente*

Pra início de conversa, PUT SOME RESPECT ON DILMÃE'S NAME, YOU BITCH.

Infelizmente, eu não estava errada. Uma hora ela caiu. E isso infelizmente fez com que o movimento direitista ganhasse muita força, cheio de ideias retrógradas e preconceituosas. E os tempos conservadores estão se forçando dentro da sociedade, depois do o tanto que se lutou para combater racismo, homofobia, machismo. Essas coisas estão voltando. Eu sei que é exagero da minha parte dizer que é um efeito borboleta, mas tudo está um pouco relacionado. 

Enfim...

Além dessas citações diretas, eu queria comentar sobre algumas coisas que percebi sobre mim mesma do passado. 

Eu escrevi sobre algumas coisas que não deram certo, na época. Sobre a minha faculdade, sobre a auto-escola. Foram coisas que infelizmente não consegui concluir e agora estou correndo atrás aos poucos. Nesse ponto, eu queria muito, mas muito voltar atrás e dizer algo como "continua, não deixa a peteca cair". Mas infelizmente, minha cabeça não estava no mesmo lugar que está hoje. E essas coisas ficam de lição, infelizmente. E ainda bem que hoje tenho a possibilidade de correr atrás do prejuízo. Aos poucos, vou conseguindo. 

E tinha muito essa coisa de tipo... Eu querer me afirmar em uma identidade, sentir que preciso pertencer a algum lugar. E felizmente, é uma amarra que eu me desprendi só depois dos trinta anos. Eu queria ser cristã, metaleira, e isso se refletia na forma que eu opinava sobre as outras coisas. Não preciso ser dura comigo mesma e falar "isso que você achava ruim nessa época não é ruim". Mas a minha forma de expressar era áspera, como se eu quisesse me colocar longe dos lugares os quais eu não queria me afirmar, sem entender o contexto por completo. Tem coisas que a gente PRECISA se manter longe. Tem coisas que é possível avaliar. 

Eu chamava a cidade onde eu morava de Fimdemundolândia, e detestava morar lá. Hoje em dia, daria de tudo pra voltar a morar em uma cidade pequena como lá. Culpa do trânsito. 

Eu sigo tendo sonhos estranhos.

Espero sinceramente que daqui a 15 anos, eu possa ler esse blog e pensar "É, Nikita, tem muitas coisas que você não sabia e aprendeu melhor depois".

Acho que depois eu garimpo mais opiniões aleatórias minhas e comento sobre elas. Fiz muitas promessas nesse post também.


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